Temos falado muito em bronquiolite, mas no outono e no inverno também é muito frequente o diagnóstico de coqueluche em bebês. 😱 Você sabe a diferença?!  Como já falamos em outro post, a bronquiolite é uma infecção viral, geralmente  causada pelo vírus sincicial respiratório. Ao contrário, a coqueluche é uma infecção bacteriana, causada pela bactéria chamada Bordetella pertussis. Nos bebês abaixo de 2 anos os sintomas das duas doenças podem ser muito parecidos, mas tem algumas características que podem nos ajudar a distingui-las.

1️⃣      Quadro clínico:
Tanto na bronquiolite quanto na coqueluche a manifestação inicial é de tosse seca e coriza. Em ambos os casos pode ou não haver febre, com duração de até 72 horas.
Na bronquiolite, o vírus causa inflamação nos bronquíolos (parte final dos brônquios), causando tosse e chiado no peito (sibilância). Podem acontecer dificuldade para respirar e baixa oxigenação no sangue por conta do chiado.
Na coqueluche não há chiado no peito. A infecção das vias aéreas (traquéia e brônquios) pela bactéria, causa tosse, que antigamente era chamada de “tosse comprida”. O bebê em geral apresenta episódios de “acessos” de tosse que podem durar alguns minutos (sem interrupção da tosse). Após essas crises de tosse, a criança pode ficar com os lábios roxos (cianose) ou com o rosto bem vermelho. As crises de tosse podem causar vômitos e dificuldade para mamar. Entre as crises de tosse a criança pode apresentar também dificuldade (cansaço) para respirar.

2️⃣      Transmissão e prevenção 
Tanto a bronquiolite quanto a coqueluche são transmitidas por meio de gotículas respiratórias, eliminadas através de secreções respiratórias, pela tosse, espirros e secreção nasal. O contato com essas gotículas se faz pelo contato com pessoas doentes ou com superfícies (objetos, brinquedos, móveis e etc) contaminadas. Desta forma, para a prevenção são essenciais as medidas de higiene: lavagem adequada das mãos, evitar contato com pessoas doentes, evitar locais com aglomerados de pessoas, colocar braço ou lenço na boca ao tossir e espirrar.
Para a coqueluche além dessas medidas, pode-se prevenir a doença através da vacinação: a vacina tríplice bacteriana (DPT), administrada com 2, 4 e 6 meses, e dois reforços, aos 15 meses e 5 anos.  Durante a gravidez a mamãe deve receber essa vacina: isso garante proteção ao bebê nos primeiros meses de vida.
Infelizmente não há vacina contra o vírus sincicial respiratório, principal agente causador da bronquiolite. No entanto outros vírus, que causam resfriados e gripes em adultos e crianças maiores, podem também causar bronquiolite. Por isso, é também importante a vacina contra gripe em bebês maiores de 6 meses de idade.
Para bebês prematuros, com doenças pulmonares crônicas ou cardiopatias, pode ser utilizado o Palivizumabe, anticorpo que protege o bebê contra o vírus sincicial respiratório. Esse anticorpo deve ser administrado antes dos meses de maior circulação do vírus. Veja aqui as indicações e quando deve ser administrado.

3️⃣      Tratamento 
Como já vimos, a bronquiolite, por ser uma infecção viral, não tem um tratamento específico. O bebê deverá receber inalações de acordo com a orientação do pediatra. É importante manter uma boa hidratação e boa higienização das narinas com soro fisiológico. Nos casos em que há dificuldade para respirar ou baixa oxigenação no sangue poderá ser necessário internação para administração de oxigênio.
Na coqueluche o bebê deverá receber antibiótico específico contra a Bordetella Pertussis, que pode ser administrado via oral. O diagnóstico da coqueluche é confirmado através da detecção da bactéria em exame de secreção da garganta do bebê. No entanto,o resultado  desse exame demora para ficar pronto e na suspeita clínica da infecção o tratamento deve ser iniciado independente do resultado do exame. Assim como na bronquiolite, nos casos de coqueluche em que o bebê apresenta sinais de baixa oxigenação no sangue, a internação pode ser necessária.

4️⃣      Sinais de alerta e quando devo me preocupar 
👉🏽 Fique atento aos seguintes sinais de alarme:

🚩 Dificuldade para respirar ou falta de ar

🚩 Febre com duração maior que 72 horas

🚩 Palidez da pele, pele arroxeada ou boca arroxeada

🚩 Crises de tosse seguidas de arroxeamento dos lábios

🚩 Dificuldade para mamar devido as crises de tosse ou pela falta de ar

Tanto na bronquiolite quanto na coqueluche os sintomas podem se agravar após 3-5 dias do início do quadro, daí a importância de ficarmos bem atentos a estes sinais de alarme. Quando estes sintomas estiverem presentes comunique imediatamente seu pediatra ou leve o bebê a um pronto atendimento.😉