A icterícia é tão frequente no recém-nascido que todo mundo vai ter um conselho pra te dar…. “Meu filho teve icterícia, tomou banho de sol e sarou….” 🙄🙄 Se conversar com os mais antigos é capaz de sair com uma receita de banho de chá de picão… 😬 E se conselho fosse bom…

A natureza demorou milhares de anos pra fazer as coisas funcionarem do jeito que são…. Vocês se lembram da conversa sobre as 40 semanas de gestação ? (Leia aqui). Se tudo, absolutamente tudo no corpo da gente funciona de modo tão perfeito, porque ela ia dar um fora desses, logo no começo da vida, pra todo mundo ver, se descabelar e chorar?

Setenta e cinco por cento dos recém nascidos vai ter algum grau de icterícia !!! SETENTA E CINCO POR CENTO!!! 😱

Tem que haver uma razão para isso, não é mesmo ?

E como tudo na natureza é perfeito e sábio, a bilirrubina (o pigmento responsável pela cor amarelada da pele, a tal da icterícia) parece ter papel antioxidante. Ao mesmo tempo, o recém-nascido tem poucas defesas contra o estresse oxidativo. Os oxidantes causam lesão e até morte prematura de células do corpo e a bilirrubina ajuda a proteger as células desse estresse.

Ah tá, se ela é boa porque precisamos tratá-la ? 😏  “Tudo pode ser remédio ou veneno, depende apenas da dose.” (Paracelso – médico e físico do século XVI).

Se a bilirrubina parece ter um papel importante como antioxidante no recém-nascido, em níveis muito elevados ela pode causar lesão nas células cerebrais e deixar sequelas (é a chamada encefalopatia bilirrubínica, mais conhecida como kernicterus).

Então o que fazer?

A icterícia, na maior parte dos casos, é chamada de fisiológica porque não é sintoma de uma doença e é normal nos primeiros dias de vida. Este tipo de icterícia é um período de adaptação. Enquanto o bebê estava dentro da barriga, era o fígado da mãe que cuidava da bilirrubina para ele. Quando o bebê nasce, ele precisa de um tempo até que consiga eliminar a bilirrubina de forma mais adequada. Esse tempo dura de 5 a 7 dias e é nessa época em que a icterícia vai aparecer. Em geral surge a partir do segundo dia e se intensifica dia a dia até que a adaptação aconteça (entre 5 e 7 dias) e ela desapareça gradativamente, sozinha, SEM FAZER NADA (“tomou banho de sol e sarou”🙄).

Nessa fase de adaptação, alguns bebês precisam de uma mãozinha, a fototerapia de luz azul que é realizada no hospital.

Porque o sol não pode substituir esse tratamento quando ele é necessário ? Porque a luz que auxilia a transformar a bilirrubina em uma substância que possa ser eliminada sem precisar do fígado é a luz azul e o tratamento deve ser feito de forma contínua (o bebê fica por alguns dias em um berço com luz azul todo o tempo e sai dele apenas para mamar).

A luz do sol é uma luz branca e como a luz branca é uma somatória de todas as cores, até tem um pouco de luz azul…, mas o tempo de banho de sol e a quantidade de luz azul não são suficientes.

Quando é necessária, a fototerapia é muito eficiente e é indicada com níveis de bilirrubina muito menores do que aqueles que podem causam dano ao cérebro do seu bebê, para que ele não corra nenhum risco.

Nem todos os bebês vão precisar dela. Mas seu bebê estará no hospital nos primeiros 3 dias de vida e o neonatologista irá avaliar a icterícia (entre outras coisas). Ele vai observar se há necessidade de fototerapia, qual o risco de seu bebê precisar do tratamento após a alta e em quanto tempo ele deverá ser reavaliado pelo pediatra.

A icterícia é um dos motivos pelos quais você precisará ir à primeira consulta do pediatra 2-3 dias apos a alta da maternidade. Então, considere uma consulta com seu pediatra antes do seu bebê nascer para que vocês possam programar como farão apos a alta da maternidade. Já falamos sobre isso, não ? (Veja mais aqui).

Até a próxima…

icterícia neonatal

 

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