Para entender o que é o palivizumabe, precisamos entender um pouco sobre o vírus sincicial respiratório (VSR). O VSR é um dos principais agentes associados a infecções respiratórias em lactentes de até 2 anos, responsável pelos quadros de bronquiolite e boa parcela dos quadros de pneumonia viral nesta idade. O VSR é transmitido através do contato com pessoas ou superfícies contaminadas por gotículas respiratórias.

Não há tratamento específico e nem vacina contra o VSR. Assim, a prevenção da infecção é a maior arma contra o vírus. A prevenção se baseia nas medidas de higiene que reduzem a transmissibilidade do vírus: evitar o contato com pessoas doentes, higienização adequada das mãos (das crianças e dos pais e cuidadores), evitar locais com aglomerações de pessoas especialmente nas épocas de maior incidência da doença.

Para as crianças com maior vulnerabilidade para infecções graves pelo VSR, há disponível um medicamento chamado Palivizumabe. O Palivizumabe é o anticorpo monoclonal contra o VSR. Não se trata de uma vacina: as vacinas contem um “pedacinho” do vírus ou da bactéria e este “pedacinho” irá estimular o nosso corpo a produzir anticorpos contra aquela infecção. No caso do Palivizumabe, ofertamos à criança diretamente o anticorpo contra o vírus. Desta forma deverá ser aplicado em injeções mensais, durante o período de maior circulação do vírus, garantindo níveis altos de anticorpos durante todo o período. O Palivizumabe confere proteção contra as formas mais graves da infecção pelo VSR.

Os prematuros são o grupo de maior vulnerabilidade para as infecções pelo VSR: há maior risco de infecções graves e maior risco de internação, muitas vezes em UTI.  Desta forma, muitos estudos foram feitos e foi possível comprovar que um grupo específico de prematuros se beneficia com a proteção conferida pelo Palivizumabe.

Assim, o Ministério da Saúde disponibiliza esse medicamento para o grupo de maior risco:

✅ Crianças com menos de 1 ano de idade que nasceram prematuras com idade gestacional inferior a 29 semanas. Não há dados suficientes nos estudos que comprovem o benefício do palivizumabe para prematuros que nasceram com mais de 29 semanas.

✅ Crianças de até 2 anos de idade com:

  •  doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar): os casos que apresentaram necessidade de oxigênio ou tratamento específico nos últimos 6 meses
  • com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica – o médico cardiologista saberá informar se esse é o caso do seu filho

🚩Crianças no primeiro ano de vida portadoras de anormalidades pulmonares ou neuromusculares que alterem a capacidade de clarear as secreções das vias aéreas superiores e  crianças menores de 24 meses que estão ou estarão com imunossupressão/ imunodeficiência profunda durante a estação do VSR poderão se beneficiar com o uso do Palivizumabe. Estas indicações, porém, não são indicações absolutas e por conta disso não são disponibilizadas pelo Ministério da Saúde.

⚠O Palivizumabe deve ser aplicado nos meses de maior circulação do vírus:

  • na região norte: maior circulação entre fevereiro a junho. O período de aplicação deve ser ente janeiro e junho
  • nas regiões nordeste, centro Oeste e sudeste: maior circulação entre março e julho. A aplicação deverá ocorrer entre fevereiro e julho
  • na região Sul: a circulação é predominante entre abril e agosto, devendo o palivizumabe ser aplicado entre março a agosto.

Fique atento! Verifique se seu filho está no grupo de risco que deve receber o Palivizumabe e confira os meses de acordo com o local onde você mora. Converse com seu pediatra e tire suas dúvidas! 😉